
Motivo de desespero de muitos músicos, o ruído, não faz distinção de pessoas.
Das mais simples configurações aos mais elaborados setups, o ruído insiste em se fazer presente.
Não pretendo esgotar o assunto, mas sim compartilhar aquilo que eu lembrar do que aprendi nesses anos como músico e especialista em eletrônica direcionada para a música.
O músico vive uma guerra diária contra o ruído. Nessa guerra não vale reza nem macumba. Sun Tzu em seu livro “A Arte da Guerra” ensina que é fundamental conhecer seu inimigo.
O Ruído: Ruído é qualquer distúrbio ou sinal falso que, superposto ao sinal original, tende a alterar o conteúdo das informações.
Como os sinais gerados por uma guitarra são de baixo nível (milivolts) qualquer campo elétrico ou magnético pode interferir neles
Existem inúmeras fontes de ruídos, como por exemplo, linhas de alimentação (fios com 127v ou 220V) passando próximos dos cabos, controles tristorizados (SCR, TRIAC – Muito usados em iluminação), transmissores wireless, reatores de lâmpadas fluorescentes, motores C.A. e C.C., geradores elétricos, cabos de telefone, controle de motores (Touro mecânico), máquinas de solda elétrica, contatores e disjuntores, forno de microondas, máquina de pipoca, fritadeira elétrica, transformadores e inúmeras outras fontes de ruídos.Todas estas fontes podem fazer com que o cabo que conduz o sinal do instrumento capte estes ruídos e os conduza para o amplificador.
Os ruídos se dividem em eletrostático, de modo comum, e magnético.
1. O ruído eletrostático é causado por campos elétricos próximos ao sistema: instrumento+processadores+amplificador.
Estes campos elétricos são gerados por linhas de força que estejam próximas aos captadores ou ao cabo.
Estes ruídos são atenuados por uma boa blindagem e aterramento do fio ou cabo de extensão.
A blindagem (shield) e o aterramento, conduz os ruídos para o terra não indo mais para o item seguinte da cadeia de áudio (pedal, amplificador,...).
Além da blindagem e aterramento, deve-se separar o mais distante possível, linhas de força de linhas de sinais. Além disso, deve-se atentar para que o terra deva ser eficiente.
2. Os ruídos de modo comum são causados por um mau aterramento, ou seja, diferentes potenciais de terra.
Quando dois pontos de terra diferente são ligados a um mesmo sistema, ocorre a circulação de correntes de terra, fazendo com que o ruído retorne ao sistema e contamine o sinal de áudio.
Isto é muito mais do que se pensa. A solução é simples; todas as blindagens/carcaças de amp devem estar aterradas em um único ponto de terra. Por simples não pense que seja fácil. Para que isso funcione, todos os equipamentos deveriam ter plugs de força, com pino de aterramento, o qual estivesse realmente conectado à blindagem, conectadas em tomadas realmente aterradas, ou ao menos com seus terceiros pinos bem conectados entre si.
3.Ruídos magnéticos são produzidos por campos magnéticos gerados pela circulação de corrente em condutores ou de motores e geradores elétricos.
Se o campo magnético gerado passa através de um cabo que transmite o sinal de áudio, este campo pode se acoplar e induzir uma corrente elétrica espúria no sistema. É o que acontece, por exemplo, quando se coloca um Cry Baby muito perto de uma fonte de alimentação com transformador. O campo magnético irradiado pelo transformador da fonte (Que reduz a voltagem de 127V ou 220V para 9V) induz no famoso indutor Fasel um ruído de 60Hz que é a freqüência da rede.
As pricipais providencias para minimização dos ruídos magnéticos são:
A - Manter o mais afastados de transformadores de fontes de alimentação (além da fonte de pedais, tem um destes em cada equipamento que você conecta direto na tomada, seja periférico ou amplificador) de transformadores onde passe o sinal como: os indutores de Cry Baby, transformadores de acoplamento/casamento de impedância (normalmente dentro de DI’s passivas), etc.
B – O uso de cabos de áudio de boa qualidade. Eu prefiro e recomendo os cabos das seguintes marcas nesta ordem de preferência: Beldem, Mogami, Canare e Reference. Em casos extremos a solução pode passar pelo uso de cabos com dois fios internos à blindagem em que a blindagem. Um dos fios segue com o positivo e o outro com o negativo e a malha externa será conectada apenas no conector que “entrega “ o sinal. Este expediente torna o cabo direcional; isto é: o plug que a malha não está conectada é o de entrada do sinal enquanto o outro com malha conectada é o de saída do sinal.
Vamos entender bem o que significa isso. Pense no seguinte caso:
Guitarra -> Cabo-> Amplificador
Quando nós usamos a malha conectada somente no plug de saída, nesta configuração acima, à partir do momento que o plug está conectado no amp a malha do cabo passa a fazer parte da carcaça (blindagem) do amplificador. O sinal não passa pela malha mas sim por dois fios que podem ser dimensionados em conformidade com a escolha do projetista do cabo.
Este forma de conectar cabos é tão importante que é expressamente recomendada por fabricantes de Mixers, periféricos – Ex: equipamentos Rane, também é orientado pelo Sound Book of Reinforcement considerado a Bíblia do Áudio. A Monster Cable usava este sistema quando seus cabos eram feitos nos EUA. A Evidence Áudio também usa esta configuração em seus cabos – depois dê uma lida na “filosofia” dos cabos Evidence.
Algo que pode potencializar a rejeição de ruído magnético pelo cabo, é quando o par interno do cabo é torcido em toda a sua extensão. A torção dos fios faz com que a corrente induzida se cancele, atenuando este tipo de interferência.Quanto maior for o número de torções, mais eficiente será contra os ruídos.
Além de todos estes métodos de se minimizar as interferências nos sinais, pode ser que se faça necessário o uso de Buffers – que são redutores de impedância – em pontos chaves da cadeia de áudio.
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